06 novembro, 2013

Poema de Ferreira Gullar - Não há Vagas

Olá rainhas e reis, esses dias eu estava vendo um programa de televisão e me deparei com a leitura de um poema, o Não há Vagas de Ferreira Gullar.

Nunca fui muito ligada a essas coisas de literatura e muito menos de português, mas esse poema me chamou muita atenção, então resolvi trazer ele aqui pro nosso blog.

Vamos ao poema ?




Não há vagas

 

O preço do feijão

não cabe no poema.

O preço

do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado: 

"não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira.



Ferreira Gullar



E aí vocês gostaram do poema ?
Bom espero que sim, um super beijo e até o nosso segundo post.
Tchauu.


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